A frase me fez lembrar de uma entrevista que li na revista Época do último domingo com uma psicóloga que diz que mulher que se acha feia não transa. O estudo da Dra. Joana de Vilhena Novaes diz que as mulheres estão ficando tão obcecadas pela beleza que se sentem fora dos padrões estéticos (?), o que acaba com a auto-estima e com a libido... Nas palavras da psicóloga, “se a mulher não se sente esteticamente adequada, desejada, então reprime sua sexualidade”.
Na entrevista, ela diz ainda que as mulheres de classe média estão fazendo menos sexo por causa dessa obsessão. Dra. Joana fala que nas classes menos favorecidas existe a preocupação com a estética também, mas a relação com o corpo é diferente. Diz que para quem é pobre, ter o alimento na mesa é valor, que para ele existe sempre o fantasma da privação e que os valores de gordura e magreza se alteram diante disso.
Acho que isso explica porque a Tati Quebra-barraco, por exemplo, se acha tão gostosa, e as pessoas a olham como se fosse uma sem-noção. Ou seja, Tati foi criada dentro de outros padrões, acha que o fato de ser mais cheinha não a tira do jogo, que ela pode continuar transando, pegando geral e, inclusive, já é até avó! A dinâmica funciona como um círculo vicioso: me sinto gostosa, passo a convencer o outro que sou gostosa, realizo a minha sexualidade e passo a ser de fato gostosa. Ou, trocando em miúdos, mulher bem comida é mais feliz. Ou, parafraseando Caetano, “Nada é melhor que o prazer de ser você mesmo quando está sentindo uma coisa intensa”.