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terça-feira, 20 de julho de 2010

Sexualidade, coisa de tarado?

Dia desses, voltando para a casa de ônibus, vi um sujeito em um canto escuro da rua levantando uma das ‘pernas’ da bermuda. Estranhei aquele sujeito se desnudando, às 11h30 da noite, em uma temperatura de pelo menos 17°. Imaginei que ele iria executar algum ato libidinoso (não estava com cara de quem ia fazer xixi) e, automaticamente, pensei: tarado! Depois, veio a relativização, e comecei a pensar em como “pega mal” você ser flagrado exercitando a sua sexualidade. Óbvio que não na rua, claro. Mas, mesmo em casa, se você é pego se masturbando, a cena “pega mal”. Automaticamente o outro pensa: tarado! Mesmo todo mundo sabendo que todo mundo faz e que é um exercício natural da sexualidade humana. Isso para ficar no exemplo mais simples da coisa. Pensar em um flagra de uma relação sexual então... Outro constrangimento. Estranho que as pessoas se constranjam tanto com algo que lhes é tão familiar (ou pelo menos deveria ser) e que continuem tendo uma postura tão medieval e repressora em pleno século XXI. Ainda hoje sexo é coisa de tarado!

sábado, 24 de abril de 2010

A pintura do teto

Conversando um dia desses com um amigo sobre os mistérios da sexualidade humana, ouço a seguinte pérola: “Se eu fosse mulher, ou ia dar pra todo, ou ia viver com um vibrador dentro de mim”. Retruquei dizendo que a sexualidade humana tem mais mistérios do que julga a nossa vã filosofia e que mulheres são diferentes dos homens. Não basta encostar para dar choque, sair faísca e vontade de agarrar qualquer coisa que se mexa.

Falei ainda que, em determinado momento do mês (questões biológicas da reprodução), ficamos, sim, mais taradas e que essa lógica mais masculina até funciona. Mas que no dia a dia, a coisa tem que ser estimulada. Tem que rolar um carinho, uma sacanagem no ouvido, um elogio (mulher adora ser elogiada) para ela se sentir desejada e com desejo também. Não que a gente não goste de sexo, é apenas a comparação do apetite sexual de homens e mulheres.

A lógica de sair dando por aí ou se agarrando a tudo que se mexa pode funcionar para a mulher também, já funciona para algumas. Mas até que ponto esse sexo é de qualidade, visto que na dinâmica da loteria do “dar para qualquer um” existe a chance de conseguir um “bom sexo”, mas também, e com mais frequência, a possibilidade de a química não funcionar? Não é à toa que as mulheres vivem reparando como está gasta a tinta do teto. Ou vocês acham mesmo que a gente se interessa por pintura e afrescos?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

‘Vai novinha’ X ‘Panela velha é que faz comida boa’

O blog da jornalista Patrícia Kogut divulgou hoje uma prévia do que vai rolar no programa “Amor & Sexo”, que terá a participação de Susana Vieira. Até ai morreu neves, o que me chamou atenção nessa história foi uma das declarações da atriz no programa. Ela disse: “A mulher madura quer ser desejada, não amada. Quem gosta de ser amada é a mulher mais jovem porque ela já sabe que é desejada”.

Generalizações a parte, acho que a declaração de Susana na verdade exprime uma realidade que muitas mulheres só estão se dando conta agora, 49 anos depois da revolução sexual: mulher mais velha faz sexo melhor. Ela tem mais desejo, vontade de realizar esse desejo independente de amor (talvez daí venha a constatação de Su Vieira) e conhece melhor o seu corpo. A mulher madura só tem um problema: achar alguém que queira comê-la. Essa afirmação não tem nenhum traço de preconceito, é só uma constatação a partir de uma sociedade que cada vez mais prima pelo novo, pelo jovem e descarta o velho. Assim, mesmo sob o chamariz de que o sexo com uma mulher mais velha seria muito melhor, a maioria dos homens (lembre-se: sem generalizações) prefere uma viagem quase rumo à pedofilia como forma de se auto-afirmarem.São os funks com versos de “vai novinha” sobrepondo o forró que dizia que “panela velha é que faz comida boa” e uma legião de amantes insaciáveis do sexo feminino a ver navios.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Cotidiano

Senhorinha de aparentemente 52 anos na fila da farmácia paga tintura de cabelo, comprimidos quando, sorrateiramente, “colhe” um pacote de camisinhas do mostruário do caixa para acrescentar às suas compras. A princípio pensei: “Veja que danadinha! Ativa e prevenida!”. Depois, saquei que ela estava com um garoto, adolescente do lado. Tinha pinta de ser filho. Com uns 17 ou 19 anos. Ele, meio que de longe, observava tudo e aprovava com o olhar. Daí, pensei: “Que espertinha! Viu que o pacote de camisinha é mais barato que o pacote de fralda descartável”.

domingo, 7 de junho de 2009

Entreouvido por aí... (sobre sexo oral)

Depois de rolar de rir com o post da Lu Barcellos, do Enfim.. Conversava com ela sobre as peripécias de seus filhos quando ela me contou:

"Você tinha que ver no dia em que ele me perguntou se sexo oral era era feito de hora em hora."

Não é bonitinho?rs

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Prazer é fundamental

Como já devem ter reparado, ando entretida com o novo CD do Caetano Veloso, “Zii e Zie”, que tem as musiquinhas dos posts aqui de baixo “Sem Cais” e “Tarado ni você”. Fazendo pesquisa para entrevistar o cantor, deparei-me com a seguinte frase dele : “Nada é melhor que o prazer de ser você mesmo quando está sentindo uma coisa intensa”... Coisas de Câe...

A frase me fez lembrar de uma entrevista que li na revista Época do último domingo com uma psicóloga que diz que mulher que se acha feia não transa. O estudo da Dra. Joana de Vilhena Novaes diz que as mulheres estão ficando tão obcecadas pela beleza que se sentem fora dos padrões estéticos (?), o que acaba com a auto-estima e com a libido... Nas palavras da psicóloga, “se a mulher não se sente esteticamente adequada, desejada, então reprime sua sexualidade”.

Na entrevista, ela diz ainda que as mulheres de classe média estão fazendo menos sexo por causa dessa obsessão. Dra. Joana fala que nas classes menos favorecidas existe a preocupação com a estética também, mas a relação com o corpo é diferente. Diz que para quem é pobre, ter o alimento na mesa é valor, que para ele existe sempre o fantasma da privação e que os valores de gordura e magreza se alteram diante disso.

Acho que isso explica porque a Tati Quebra-barraco, por exemplo, se acha tão gostosa, e as pessoas a olham como se fosse uma sem-noção. Ou seja, Tati foi criada dentro de outros padrões, acha que o fato de ser mais cheinha não a tira do jogo, que ela pode continuar transando, pegando geral e, inclusive, já é até avó! A dinâmica funciona como um círculo vicioso: me sinto gostosa, passo a convencer o outro que sou gostosa, realizo a minha sexualidade e passo a ser de fato gostosa. Ou, trocando em miúdos, mulher bem comida é mais feliz. Ou, parafraseando Caetano, “Nada é melhor que o prazer de ser você mesmo quando está sentindo uma coisa intensa”.