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terça-feira, 21 de julho de 2009

Família, família...

No último sábado, ganhei uma família de presente... Não que já não tivesse uma... Mas ganhei uma família toda dentro de casa. É isso mesmo, caros amigos... Depois de 16 anos sem morar com minha mãe, eis que ela se mudou para minha casa com meus dois irmãos – que se dividiam entre a casa dela e a minha(nossa) -, e o gato dela, o Glauber.

Achei que tanta gente “nova” ocupando “meu” espaço, não daria muito certo. Sei lá, tem uma hora que a gente estranha... Mas por incrível que pareça, o único problema que tivemos até agora foi com a balança. Explico!

É que minha mãe está cozinhando aqui em casa. Imagine a casa de um ser solteiro com comida de manhã, de tarde e de noite? Imagine o cheiro do feijão fresquinho invadindo a casa na hora do almoço? Ou o do café, quando você acorda?

Resultado: só Deus sabe onde o ponteiro da balança vai parar. Mas vou dar um jeitinho nisso.. Vou ver se volto a praticar algum exercício para poder comer tranquilamente..rs

Ah, também tivemos problemas com o Glauber. Ele não gostou muito da mudança não, e resolveu morar na minha casa velha (risos). Estamos na torcida para ele se juntar a nós. Se não vier, talvez role o projeto de um cachorro.. Mas estou estudando isso ainda.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mais uma de amor

Ontem fui encontrar com a Clarice - uma das minhas melhores amigas -, e, além dos assuntos nossos de cada dia ( namoros, família e trabalho) acabamos falando também de nossas últimas descobertas cinematográficas. Na quarta-feira, fomos ver “O Lutador”, saí do filme achando que a melhor coisa do longa era o corpão da Marisa Tomei, que aos 44 anos bate um bolão nas cenas de pole dance, e a frase do Randy dizendo que as músicas dos anos 80 eram incríveis, “mas aí veio o Kurt Cobain e estragou tudo”... sensacional..rs

Também descobri que a Clarice, aquele anjinho que lembra a Ana Paula Arósio, gostou do filme porque se amarra em Vale Tudo... Tipos: filme de luta, porrada, anjinho gosta... Ainda não me recuperei dessa revelação.. RS

Mas enfim... Todo esse nariz de cera para dizer que, lá pelas tantas, Cla comentou do “Quem quer ser milionário”, que é S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L, e que sentia falta de mais histórias assim, que não fossem sempre a mesma coisa, nem a mesma turma de Hollywood.

Enfim... Conversa vai e conversa vem, lembrei de uma história de família que daria um filminho bem bonitinho. Um água-com-açúcar que a gente pensa que não acontece por aí, mas acontece, sim.

Trata-se da história da minha avó materna, Maria, com a do meu avô, Severino. Ele era cego e tocava sanfona na rua para descolar um dinheirinho. Minha avó tinha um ponto de venda de caldo de cana. Acho que os dois ficavam próximos. Daí, sabe como é, né? Conversa vai, conversa vem, e o ceguinho ganhou Dona Maria no papo (risos). Eles já tinham sido casados anteriormente. Ele tinha uma filha do primeiro casamento, a tia Salete, e minha avó três: os tios Reinaldo, Roberto e Rui.

Eis que eles começaram a namorar e meu avô foi pedir minha avó em casamento. Ele estava sentado com ela, arrancou um pedaço de mato que estava perto e colocou no dedo anular da mão esquerda para medir qual seria o tamanho da aliança. Ela perguntou para quê era aquilo e ele contou que queria pedi-la em casamento. Segue o seguinte diálogo segundo Dona Maria contava, já que não conheci meu avô.

- Olha aqui Severino, a gente está junto e não quero ninguém dizendo por aí que enganei ninguém, não. Sou preta, pobre e tenho três filhos para criar (Sentiu de onde vem certos momentos de sutileza de Eliane Santos, né?).

- Eu sei disso, e não te perguntei nada. Só pedi a sua mão para medir o tamanho da aliança. (Vóvis, era foda.. rs)

Enfim, depois desse momento ultra-romântico, eles casaram e tiveram mais dois filhos. Mamis (comigo na foto ao lado), que chama Maria também (graças a Deus escapei da sina de perpetuar o nome Maria na família) e meu tio David... Fico devendo a foto de Dona Maria I, a casadoira

Eles viveram muito felizes até o dia em que meu avô morreu do coração. Mas nunca ouvi minha avó falando mal do meu avô. Ele era um homem bom, justo, trabalhador e que vivia brigando com minha avó para tirar os filhos do primeiro casamento do colégio interno para viverem com eles (Ela já os tinha por lá já há algum tempo e não quis mudar o esquema depois que casou de novo).

Enfim... Seu Severino morreu do coração, dormindo, feito um passarinho como minha avó costumava contar. É isso que eu quero... nem luxo, nem lixo... Apenas um homem que enxergue quem eu sou de verdade, que me ame por isso e, se der, que consiga pedir minha mão em casamento com um gesto tão singelo e original. Dava ou não dava uma história de cinema?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Diário de Bordo 27/09/08 – 10h30

Então... Cheguei ao Recife sem maiores problemas. O vôo não foi tão bom porque eu estava com muito sono (ainda mais depois da smirnoff ice) e as malditas aeromoças não paravam se sassaricar (ou seja, mau humor na certa). Ainda teve um comissário que gritou (Ok! Não foi bem um grito, mas também não foi o tom de voz usual dos comissários de bordo) comigo quando eu quis ir ao banheiro fazer xixi. Sorte dele que eu ainda estava levemente alcoolizada e apenas falei que queria ir ao toilette.

E ele: “Ok, mas a senhora fique sabendo que o avião pode balançar.

E eu: “Ok” (Com vontade bem grande de dizer ‘foda-se’).

Enfim, cheguei, fui para o meu albergue, mas daí bateu a síndrome de solidão. É terrível deparar-se totalmente sozinho, completamente responsável por você.

A síndrome foi agravada pelo tratamento nada hospitaleiro que recebi no albergue.

Cheguei, preenchi minha ficha, fui informada que teria que adiantar as diárias e fui direcionada para o meu quarto.

O quarto era ótimo. Enorme. Com quatro beliches e uma área com uma bancada com espelho gigantesco (sonho de qualquer mulher), além é claro, de um banheiro separado que ficava dentro do quarto.

Mas eis que chego até o quarto de banho (sempre sonhei usar essa expressão) e NÃO tem água quente!

Ok, no Recife é quente, mas às 2h30 da manhã, com três horas de sono da noite anterior, e com uma temperatura amena, o que é que você quer? Um banho quente é claro! Ficar pelo menos 30 minutos embaixo da água quente relaxando e mandando todas as impurezas do corpo e da alma embora. Mas não tinha! Desci prontamente até a recepção para perguntar se algum outro quarto o tinha e fui informada (com certo ar de deboche) que não havia.

Voltei para o quarto com a síndrome de solidão ainda mais aguda. Reparei também que não tinha roupa de cama. Apenas um lençol forrando a cama. Quase chorei. Sempre choro no meu primeiro dia de viagem... Rs. Lembra-me a solidão do primeiro dia na escola.

Enfim, resignei-me! Fui tomar banho frio (de cinco minutos apenas), e depois enrolei minha calça jeans para servir de travesseiro. Fui dormir dizendo para mim mesma que daria uma chance ao ser humano. Acordaria cedo (o café da manhã era das 7h30 às 9h30), iria tomar café e fazer amizade com os outros alberguistas.

Desci às 8h30 me sentindo bem melhor depois da curta noite de sono. Só que na hora do vamos ver, encontro a mesa do café vazia, e um recepcionista que me apresenta apenas um prato com um pão francês inteiro, e garrafas térmicas com café e água quente para chá. Tinha uma jarra com suco de maracujá também. Juro que me senti uma presidiária com aquela cena. Tomei dois copos de suco para me acalmar, e saí em busca de um novo albergue.

Fui parar no Piratas da Praia, que ocupa o andar de um prédio. Os quartos eram menores, e teria que dividir o espaço caso ficasse, mas tinha água quente.

Fiquei na dúvida se trocaria a solidão do meu quarto isolado por um beliche em um quarto com outras pessoas. Mas eis que o Tatá, o recepcionista que me recebeu, me chama para tomar café da manhã com ele, mesmo sem saber se eu ia ficar por lá. Na mesa tinha suco, biscoito, iogurte, frutas e batata doce, que foi o primeiro item que ele me ofereceu dizendo que sempre tinha algo regional nessas refeições. Cara, batata doce foi sacanagem! Minha avó cozinhava isso para a gente tomar café da manhã ou lanchar de tarde. Senti-me tão em casa...(risos)

Enfim, estou agora no meu quartão arrumando as coisas para ir para o “Piratas” ficar com a batata doce.

ps.: no caminho, descobri uma delicatessen que aceita VR. Estou pensando em patrocinar uma noite regada a caipirinha (preparada por mim, é claro) para os meus novos amigos do albergue: a alemã Carol, o Tatá e uma espanhola que não sei o nome ainda.